Existe uma coincidência pouco discutida nos ambientes profissionais: os anos em que muitas mulheres assumem cargos de liderança, constroem negócios e avançam na carreira são também aqueles marcados por importantes transformações no corpo. Ciclo menstrual e saúde emocional na casa dos 30. Decisões relacionadas à fertilidade a partir dos 35.

Perimenopausa e climatério entre os 45 e 55 anos.

São fases que costumam ser tratadas separadamente, embora façam parte da trajetória de uma mesma mulher. Na minha prática de Medicina Tradicional Chinesa (MTC), costumo organizá las em três capítulos: Raiz, Semente e Florescer.

Raiz: o terreno antes de qualquer decisão

Antes de qualquer decisão sobre engravidar, existe um terreno que merece atenção: ciclo, sono, ansiedade e dor. A MTC descreve tradicionalmente sete emoções associadas a diferentes sistemas funcionais, como a raiva ao Fígado, a preocupação ao Baço e o medo aos Rins. É importante entender que se trata de um modelo teórico da Medicina Chinesa, e não de um diagnóstico biomédico. Sentir ansiedade, por exemplo, não significa ter uma disfunção hepática.

O princípio por trás dessa leitura, porém, ajuda a compreender o cuidado de maneira mais ampla. Corpo e emoções não existem de forma independente, especialmente em rotinas marcadas por cobrança, responsabilidades e pouco espaço para perceber sinais de esgotamento.

Isso também vale para a dor. A endometriose, por exemplo, ainda é frequentemente minimizada como uma “cólica forte”. Estudos têm investigado a acupuntura como terapia complementar para o controle da dor pélvica e menstrual, com resultados considerados promissores, embora as evidências ainda apresentem limitações. Não existe evidência de que a endometriose tenha uma “causa emocional”. Conviver com dor crônica, no entanto, pode afetar sono, humor, disposição e produtividade, aspectos que também precisam fazer parte do cuidado.

Semente: quando existe o desejo de gestar

Muitas mulheres postergam a maternidade enquanto constroem suas trajetórias profissionais. Quando o desejo de engravidar se torna prioridade, frequentemente a partir dos 35 anos, surgem também questões relacionadas à fertilidade e à redução progressiva da reserva ovariana.

Nesse contexto, a acupuntura pode ocupar um espaço complementar nos tratamentos de reprodução assistida, nunca substituindo investigação, acompanhamento ou tratamento médico. Estudos analisam possíveis benefícios de sua associação a protocolos de fertilização in vitro, mas isso não deve ser interpretado como uma promessa isolada de gravidez.

Compreender os limites e as possibilidades de cada abordagem é parte fundamental de um cuidado integrativo responsável. A Medicina Chinesa pode atuar em conjunto com a medicina convencional, respeitando as indicações e necessidades de cada mulher.

Florescer: uma transição que também precisa de cuidado

A perimenopausa costuma coincidir com um período de grande atividade profissional. Entre os 45 e os 55 anos, muitas mulheres estão em posições de liderança e, ao mesmo tempo, começam a lidar com sintomas como fogachos, alterações no sono e oscilações de humor.

Apesar disso, o climatério ainda é pouco discutido em muitos ambientes de trabalho e até mesmo entre as próprias mulheres. Seus sintomas têm relação com as mudanças hormonais características dessa fase e não devem ser reduzidos a uma “coisa da cabeça” ou simplesmente atribuídos à idade.
A acupuntura também vem sendo estudada como recurso complementar para sintomas como fogachos e suores noturnos. Isso não significa afirmar genericamente que a técnica “regula hormônios”. Significa reconhecer seu possível papel dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado, que pode incluir terapia hormonal quando houver indicação médica e outras abordagens definidas de acordo com cada caso.

Uma mulher, três capítulos

Talvez o ponto mais importante dessa visão esteja justamente em não enxergar cada fase de maneira isolada. É a mesma mulher que atravessa todas elas. Quem hoje cuida do próprio ciclo pode, alguns anos depois, estar decidindo sobre maternidade e, mais adiante, vivendo uma transição hormonal enquanto continua trabalhando, liderando e tomando decisões.
Um modelo de cuidado que acompanha essa trajetória e considera as particularidades de cada etapa é o que orienta minha prática de Medicina Chinesa Integrativa na CULT, em São Paulo.

Sobre Chris Martinkovics:
Chris Martinkovics atua com Medicina Tradicional Chinesa, possui certificação internacional pela WFAS e atende na Clínica CULT, na Vila Olímpia, com foco na saúde da mulher em diferentes fases da vida.

Sobre o Grupo CULT:
O Grupo CULT é um ecossistema de saúde, estética e bem-estar localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. Fundado pela ortodontista Erika de Paula Godinho, reúne cinco frentes em um mesmo endereço: CULT Odonto, CULT Esthétique, CULT Méd, SPA da CULT e CULT CLUB. A empresa trabalha com equipes multidisciplinares e organiza o atendimento a partir da escuta, do planejamento individual, da explicação das etapas e do acompanhamento. A direção clínica é de Victor Ruano. Mais informações em grupocult.net.